Em sua primeira manifestação após ter o nome rejeitado para o Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou nesta quarta-feira (29) que participou de forma “íntegra” e “franca” de todo o processo de indicação. Em declaração a jornalistas, ele agradeceu os votos recebidos e disse aceitar o resultado do plenário do Senado.
“Me submeti a uma sabatina de coração aberto, de alma leve, espírito franco. Falei a verdade, falei o que penso, falei o que sinto. Agora, a vida é assim, tem dias de vitórias e dias de derrotas. Temos que aceitar, o Senado é soberano”, declarou Messias, ressaltando que faz parte do processo democrático “saber ganhar e saber perder”.
Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o nome de Messias recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis no Senado. Para ser aprovado, eram necessários ao menos 41 votos entre os 81 senadores. Com a rejeição, a indicação foi oficialmente arquivada, marcando um episódio raro na história institucional brasileira.
Trata-se da primeira vez em mais de 130 anos que um indicado ao STF tem seu nome rejeitado pelo Senado. A vaga em disputa foi aberta após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte em outubro de 2025.
Em tom pessoal, Messias afirmou que a reprovação não é simples, mas disse confiar em um propósito maior. Evangélico e apoiado por segmentos religiosos, ele declarou que sua trajetória está “nas mãos de Deus” e que aceita o resultado como parte de um plano maior. “Lutei o bom combate e preciso aceitar o plano de Deus na minha vida”, disse.
O advogado também afirmou ter enfrentado, ao longo dos últimos cinco meses, um processo de desconstrução de sua imagem, mas garantiu possuir “vida limpa”. Ao final, agradeceu ao presidente Lula pela indicação e destacou que não encara o episódio como um fim. “Isso aqui é uma etapa do processo da minha vida”, concluiu.